Acácio Nunes

Anda neste negócio desde os 10 anos de idade quando veio de Barriosa, freguesia de Vide, Seia, para Lisboa em 1960 para trabalhar numa leitaria no Bairro Alto. De manhã à noite percorria uma zona da capital para distribuir as encomendas do leite em casa dos fregueses. Ainda não tinha completado 26 anos quando abriu a primeira Pastelaria Lua-de-Mel, na Rua da Prata. Quando mais tarde se estabelece na Parede torna-se amigo do Senhor Crispim, o segundo proprietário da Pastelaria Ribeiro que já naquela altura era muito conceituada.

Em 1984 o dono da Ribeiro propôs-lhe a venda da sua pastelaria e Acácio diz que se sentiu deslumbrado porque tudo naquela casa era de primeira qualidade: os produtos, o serviço e o prestígio dos clientes que a frequentavam. Apesar de já ter experiência no ramo, conta que o Senhor Crispim lhe deu alguns conselhos para que a reputação do estabelecimento não fosse tocada: “O meu amigo vai assumir uma casa onde os clientes têm uma confiança cega em nós”. E também lhe disse que a D. Dolores, uma empregada já com muitos anos de trabalho era “o cartão de garantia da casa”. Um dia decidiu colocar os bolos da vespra na frente da montra para que fossem os primeiros a sair. A Dona Dolores disse-lhe: “O Senhor Crispim e o Senhor Ribeiro, fundador da pastelaria, não precisaram de andar a vender bolos atrasados para ganhar dinheiro”.

Recorda-se dos telefonemas da primeira-dama do Estado Novo, D. Gertrudes Tomás a encomendar «um pão de deus e a empada de vitela» e também das visitas do rei de Espanha à pastelaria. Ainda hoje conta que há amigos do monarca que quando visitam Portugal fazem questão de lhe levar os pastéis de nata e de bacalhau da Pastelaria Ribeiro. O negócio expandiu-se e é o dono das pastelarias Ribeiro na Parede e no Hospital Sant'Ana. Hoje orgulha-se de ter conseguido manter a qualidade e prestígio da Casa e merecido a confiança dos clientes.

Na época de Natal, a pastelaria Ribeiro, fundada em 1918, é uma festa. Por entre as enormes taças de vidro de Marinha Grande cheias de marmelada (a maior tem dois quilos) aparecem cartazes a anunciar tudo o que pode ser encomendado nesta casa famosa da Parede: peru assado à medieval, à austríaca, leitão da Bairrada ou de Negrais, lombo de porco, cabrito, bola de carne, queijo de Seia, lampreia e doce de ovos, trouxas e fios de ovos, bolo especial de Natal, tronco de Natal, apfel strudel, pão-de-ló Margaride ou bolinhol, broas, sonhos, filhós, azevias e rabanadas.

E, claro, bolo-rei e bolo-rainha. “Há duas razões para a fama do nosso bolo-rei”,“A primeira é que só uso frutos secos de origem nacional e comprados ao produtor: passas, nozes e pinhões, não ponho nem amêndoas, nem avelãs nem cajus. E nas frutas escorridas, não temos nada daquelas com cores fortes, que até mancham a massa. Temos só laranja, tangerina, abóbora branca e, claro, a ginja. E não usamos ovo líquido, só ovos normais.” Quanto à massa, “leva uma calda feita com uma bebida espirituosa”, mas isso “já é segredo do pasteleiro”.

Pastelaria Ribeiro é uma empresa hoteleira centenária com fabrico próprio. A nossa confecção continua a ser personalizada e manual, utilizando apenas produtos de alta qualidade e sempre que possível Nacionais.